Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Movies #82

The Natural [1984]

Filme de 1984, com um Robert Redford muito novo, uma Kim Basinger ainda muito sensual e uma Glen Close que, não sei porquê, nunca consigo achar feminina. Sobre baseball, sobre a vida, sobre escolhas. Para uma película com 28 anos, não está nada mal e, acima de tudo, consegue manter um certo suspense acerca do final.

You got a gift, Roy. But it's not enough. You gotta develop yourself. Rely too much on your own gift and you'll fail.

Domingo, 27 de Maio de 2012

Não sei o que escrever aqui, agora

Essencialmente porque chego à conclusão que não percebo as pessoas. Eu não percebo as pessoas. Portanto, não quero escrever nada bonito. Também não quero escrever conclusões acutilantes ou recortes da minha vida, instantâneos da minha existência. Nada acrescenta algo a nada, neste agora. Fico-me por uma música. Porque nos acordes eu sou quem posso ser, viajo até onde a minha imaginação permitir e tiro as conclusões que me forem possíveis sem olhar a segundas intenções, ao que podia ter sido mas afinal não foi.


(Wait - M83)

No final sou o herói e o vilão de histórias com três verdades. A pessoa que ama e a pessoa que odeia. O orgulho e o desalento. Sou a antinomia que habita em mim.

Couldn't have said it better myself #38

You see, the one thing you can't have is fear. And for the first time in my life, I'm afraid. Not of losing. (...) I'm afraid of what happens if that ball keeps going by me. What happens then?

em Wimbledon

Medo, (auto)comiseração, baixar os braços. Faço tudo o que está ao meu alcance mas para determinadas situações, tal como previa, nunca irá surtir efeito. Pelo menos, o efeito que desejaria que surtisse. E faço mais do que devia fazer, porque parto do princípio que há um grito que ecoa, surdo. Um grito que, nitidamente, só eu ouço. E nesta demanda quixotesca, em que o Sancho Pança que me acompanha diz constantemente Senhor, é tudo ficção, está tudo na sua cabeça, perco tempo e energia.

Neste segundo, neste instante que passa com uma leveza que nem noto, o meu medo transforma-se. Vai evoluindo. Não é medo de perder o que claramente há muito se perdeu, sem que eu perceba. Porque vou percebendo e interiorizando aos poucos. É um medo de, com este medo, esta (auto)comiseração, este baixar de braços, continue a deixar passar a bola.

Houve uma altura da minha vida em que utilizei amiúde uma metáfora dos comboios. Há comboios que só passam uma vez na vida. Têm horário definido e não esperam. E podem acontecer uma multiplicidade de factores que me levem a não reparar neles. Ainda estar a comprar o bilhete. Ver, com nostalgia, outro comboio que há muito partiu desaparecer na fina linha do horizonte. E, nisto, estou de costas viradas para outras linhas. Outros comboios. As bolas que continuam a passar por mim. É disso que hoje, neste segundo, neste instante, tenho medo.

Sábado, 26 de Maio de 2012

When Reality Meets Fiction #44

(Hour of Need – David J. Roch)


Não me recordo ao certo do teu vestido e não quero cometer, aqui, nenhuma imprecisão. Que ele fique gravado na minha memória como uma fotografia difusa, desfocada. Se for a preto e branco, pelo menos, não me esquecerei das cores. Lembro-me, isso sim, da textura, suave como a água seria se assumisse essa forma. Era um domingo ao final da tarde e fui buscar-te a casa. Segredei-te ao ouvido que tinha uma surpresa para ti e, gentilmente, vendei-te os olhos. Percorreste, com a tua mão, o meu braço até te sentires segura na minha.

Pedira o restaurante a um amigo meu, só por essa noite. Fábrica dos Sentidos, penso que era como se chamava. Já não sei ao certo nem a fachada conserva qualquer sinal, indicação daquele que foi o seu nome. Ficava na tua cidade e, por isso, a viagem foi curta. Já estava tudo preparado, a mesa isolada no centro da sala, o perfume de uma pasta que escapava entre as frinchas de uma porta batente, as velas que ardiam tremeluzentes. Não sei se consigo descrever o sorriso dos teus olhos, que me fez sentir único. Puxei a cadeira para que te sentasses e servi-te de vinho, branco. Não quero perder tempo a descrever o jantar, as conversas que já não existem, as mãos que já não se tocam, esta fachada cinzenta e suja. Quero falar do quanto te amei. Posso? De um amor que me teria feito morrer por ele. De onde veio esse amor? São tantas as perguntas que carrego, as questões que um dia mais tarde, quando te voltar a encontrar, quero colocar. O quanto te amei...

O teu riso cristalino que me arrepiava. A forma como gostava de pentear o teu cabelo com as minhas mãos, subir e descer os caracóis como se contornasse as nuvens num céu azul [que não está], e deixá-lo cair em pequenas ondas por uma das faces do teu pescoço, deixando a outra descoberta, virgem, chamando por mim. E o teu sorriso, aquele que tantas vezes se escondia, brilhava nos meus olhos, nos olhos que eram teus, que te mostravam os meus sonhos. Os meus pequenos e grandes desejos, como lhes chamavas.

O jantar terminou e saímos do restaurante. A noite arrefecera e coloquei o meu casaco pelas tuas costas. Paraste e entregaste-me um embrulho. Uma prenda para ti. Um livro, um abraço. Meu deus, ter-me-ias tido sempre, sabes? Num sentido pervertido e retorcido, deste-me e tiraste-me as palavras, aquelas que seriam tuas para sempre. Começa a chover, a água percorre, sem rumo, a fachada abandonada.

Estamos dentro do carro, outra tarde chega novamente ao fim. Metaforicamente, é um final de uma vida, cuja luz se esvai sem eu me aperceber. Deitas a cabeça nas minhas pernas enquanto leio o livro que me deste, folheando silenciosamente as páginas, absorvendo todas as sensações. Paro num texto que grita nós. E fico a ouvir as gotas criarem um som metálico à medida que a sua longa viagem termina. Fecho os olhos por instantes que virei a desejar serem eternos, dos quais tu nunca despertes. Sou egoísta...

Leio-te um excerto: Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí [sempre estive aí]. Estamos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se.* Só que tornámo-nos opostos naquilo que sentíamos. Branco e preto. Luz e escuridão. Céu azul e céu plúmbeo. Um sorriso e uma lágrima.

Da chuva que cai lá fora. Já é noite. Beijo-te e não sei que é o último beijo. E ainda bem que não sei. Mas se soubesse... Se soubesse, tinha saído do carro e ter-te-ia tomado nos meus braços, no meio da rua, não te largando. Beijando-te entre as gotas que nos delineariam. Sais do carro e sinto que há algo mais que te quero dizer. Chamo-te, digo o teu nome à tua vista pela derradeira vez. Voltas atrás, abres a porta e olhas-me, curiosa. Amo-te...


*José Luís Peixoto, em Abraço

Movies #81

The Italian Job [1969]

Apeteceu-me ver o filme que deu origem ao remake de 2003, com o Mark Wahlberg. Tem um Michael Caine ainda na flor da idade e uma excelente música inicial. Mas, fora isso, parece fraco. Ou melhor, talvez não seja e eu esteja apenas (mal) habituado ao humor actual e aos finais quase idealizados de Hollywood. Não vou deixar de ver os filmes originais (aliás, quem quiser ter uma boa surpresa, que procure o primeiro Ocean's Eleven, com participação de Frank Sinatra), contudo este soube a pouco.

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Actually, you never understood it

When you are sharing your life with a person, you talk to them, you think with them, you make decisions with them, you are loyal to them. You are not a free agent anymore. Do you understand me?

em Grey's Anatomy

Couldn't have said it better myself #37

Mesmo que tenhas dez mil plantações, só podes comer uma tigela de arroz por dia; ainda que a tua casa tenha mil quartos, nem de dois metros quadrados precisas para passar a noite.

(Provérbio chinês)

Podia dizer muita coisa acerca disto. Mas fico-me por sublinhar que só se dá valor ao que se teve quando se perde esse algo. Sempre foi assim, é assim e sempre será assim. Até lá, a abundância e a possibilidade de novidade ditam as regras. E, mais cedo ou mais tarde, percebe-se que se errou. Que o passado, aquele passado, nunca deveria ter acontecido daquela forma. Já não se pode remendar. Tenta-se explicar. É tarde demais. É-se e sente-se aquilo que as próprias escolhas ditam. Haja coragem para o aceitar.

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Distrutto

Ontem eram cinco da manhã quando adormeci, à força de algo que não a minha vontade e cansaço, que me mantiveram paradoxal e ferreamente acordado até essa hora. E claro que hoje, na apresentação final de uma cadeira, não era eu quem estava lá, de pé, a falar. Era outro eu, um eu que ninguém conhecia. No fim só me disseram estavas tão cansado, esfregavas os olhos, arrastavas a voz, saía-te tudo lento. Penso que há dois meses que não sou eu, que raramente me reconheço. E não gosto deste alter-ego, é um dos que faço questão que não se mostre muitas vezes. Chega de palhaçadas sem nexo. Que é o meu futuro que está em jogo. Chega.

Movies #80

Manuale d'am3re [2011]

O terceiro filme da trilogia e o mais fraco de todos. A primeira história está bem pensada, a segunda tem bons momentos de humor mas a terceira é claramente forçada. Serve para encaixar uma estrela (Robert De Niro) que, ao fazer um filme destes, mostra que a sua carreira está em decadência. Se fizerem um quarto filme, o que não me admiraria, só o verei por ser em italiano.

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Doubt, the Grimm reaper


Doubt is a disease. It infects the mind creating a mistrust of people's motives and of one's own perceptions. Doubt has the ability to call into question everything you've ever believed about someone... And reinforce the darkest suspicions of our inner circles.

em Revenge

A dúvida estreita a sobreposição dos círculos, já depois de se ter sentido que aquela sorte há muito terminou. A dúvida faz com que todas aquelas frases, que haviam sido enterradas bem no fundo do baú das memórias, voltem ao quotidiano. A dúvida faz com que a confiança tenha definhado com a sorte. E que a palavra nunca ganhe uma nova força, hoje mais do que... nunca. Ilustrando um para nunca mais...